sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A pretexto do falecido

Leio e lamento a morte de um autor. Sinto mágoa nas mensagens de fundo. Falamos no morto e nos "corredores do poder", reverenciamos o morto e aludimos o "inepto nacional", sublinhamos o imenso valor do finado, promovendo uma manifestação. O pudor tem limites, e depois da fronteira do impudor, alardeamos o rancor político. O país usa a política para cuspir rancor em cima de um corpo frio de um homem que vivia pelas e nas letras. Um homem que fugiu deste ódio, um homem que não quis reproduzir este ruído feito de lama. A sua morte serve para reaquecer o pântano. É mais um episódio triste deste país. 




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