Lembro-me perfeitamente do local, estávamos sentados num muro numa margem do Mondego. O nome dela era N. Não era muito bonita mas o sorriso e as chalaças valiam o momento.
- Vamos - disse eu. - Não podemos aqui fazer nada.
- Podias fingir que me amas. Como sempre disseste que amaste a L, podias fazer o mesmo comigo.
- Eu nunca amei a L.
Ouvi primeiro uma gargalhada, depois um sorrisinho insinuante.
- Dizes tu. Eras maluco por ela.
- O passado não move moinhos. Estou aqui contigo. És tu que eu quero.
- Diz-me uma coisa...
- Vamos! Agora!
- Espera, diz-me uma coisa.
- Vamos, ou não?
- Podemos ir, mas ouve-me.
- Diz.
- Quero saber uma coisa. Já estiveste com uma prostituta?
- Não.
Outra gargalhada.
- A sério?
- Sim.
- Homem que é homem, pelo menos uma vez, tem de ir às putas. Se fosse homem, era isso que fazia.
- Não gosto de putas.
- Não gostas? Porquê, só vais com amor?
O tom permanecia jocoso.
- Não é isso. Mas tive uma ideia.
- Qual?
- Tenho dez euros.
- E?
- Posso pagar.
- Estás a brincar?
- Como assim?
- Vai à merda.
Foram três meses de mimo para resolver a questão.
Foram três meses de mimo para resolver a questão.
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