sábado, 10 de agosto de 2013

Homem Que É Homem (O Amoral versus o Imoral)

Lembro-me perfeitamente do local, estávamos sentados num muro numa margem do Mondego. O nome dela era N. Não era muito bonita mas o sorriso e as chalaças valiam o momento. 
- Vamos - disse eu. - Não podemos aqui fazer nada. 
- Podias fingir que me amas. Como sempre disseste que amaste a L, podias fazer o mesmo comigo.
- Eu nunca amei a L. 
Ouvi primeiro uma gargalhada, depois um sorrisinho insinuante. 
- Dizes tu. Eras maluco por ela. 
- O passado não move moinhos. Estou aqui contigo. És tu que eu quero.
- Diz-me uma coisa...
- Vamos! Agora!
- Espera, diz-me uma coisa. 
- Vamos, ou não?
- Podemos ir, mas ouve-me.
- Diz.
- Quero saber uma coisa. Já estiveste com uma prostituta?
- Não. 
Outra gargalhada. 
- A sério? 
- Sim. 
- Homem que é homem, pelo menos uma vez, tem de ir às putas. Se fosse homem, era isso que fazia.
- Não gosto de putas. 
- Não gostas? Porquê, só vais com amor?
O tom permanecia jocoso. 
- Não é isso. Mas tive uma ideia. 
- Qual? 
- Tenho dez euros. 
- E?
- Posso pagar. 
- Estás a brincar?
- Como assim? 
- Vai à merda.
Foram três meses de mimo para resolver a questão. 


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